Arquivo da categoria ‘Geral’

Viver em um mundo de protocolo (s)?
Sentados na janela dando colo…
Com mentes serradas por alcoólicos
De quem vota no Alckmin e no Serra
Me desolo.
Eclipsado pelos parâmetros comuns
De adiantamento ilusório…
Da água que acaba na Cantareira
Sacudindo a poeira
Enquanto a torrente elege
Quem mais vive?
Ô protocolo!
Da empresa que alicia o choro
De quem mais vivo morre
À internet de 50 cavalos
Que daqui a sete dias
Vai estar em tênue solo
Lembrando das eleições presidenciais
Dos rituais palacianos
Outra época, outras cicatrizes
Mais o mesmo fio da História
Fragmentada pela mídia
Particular das cabeças do julgar
Onze torres tecnocráticas
Com raposas bem arrumadas.

Quem se lembra do começo da década de 90?
Quem se lamenta pelas dívidas externas?
Quem só, se contenta com o imposto e previdência…
Não tem voz, tem rebanho na consciência
De uma crise vendida à prazo sem consistência
Na assinatura do FHC
Forjando o feijão da família de lá
Com a promessa de que ia fazer o país crescer.
E cresceu.
Mas cresceu pra direita
Deixando mais gente excluída com alto índice de pobreza
Mas prato vazio na mesa
Lembrança do fim do século vinte.
Estamos agora no vinte e um.
Pouco mais uma décadas da história.
Com quase quarenta milhões de pessoas
Saindo da pobreza extrema
Sem falar nas escolas
Que não podem combater em uma década
Mais de quinhentos anos de escravidão.
Dos coronéis
Seus interesses e seus escolhidos rés.
Conhecer a história recente do Brasil
Não te deixa escravizar novamente a pátria que te pariu
São doze anos de transformação
Que a mídia golpista tenta destruir
E quando fala de corrupção
Quem esta na ponta sabe
Não tem como balançar
Pensar na maioria é o melhor
Se tem dúvida é só comparar
Assim continue no comunhão sentimento
Que muita coisa também deve melhorar
Mas na história nada pode ser imediato
Por isso devemos ao menos ser
Um pouco mais sensatos
Já que o arroz e o feijão do dia não podemos adiar
Que com o atual governo a inflação vai só baixar
E a percepção da média tem de transformar
Lembre-se do que esta em jogo
“Esqueça um pouco de você”!
Não vai no discurso fácil da moda
De ser contra o governo PT
Compare só simplesmente
O governo Lula e FHC
E aí sim será convicto
Que não é Neca
Não é Neves
À transformação do Brasil continua nela
E sua trabalhadora equipe
Sim,
Minha opção pro Brasil
Continua sendo Dilma Russeff.

Anúncios

Max Weber, em um texto denominado “A ciência como vocação”, definiu o desencantamento do mundo como a possibilidade de o homem dominar todas as coisas através do cálculo. Nesse mundo desencantado, os sentidos da existência, do tempo e do conhecimento tomaram outros rumos. A noção de progresso, que contempla um tempo linear e sempre melhor, perdeu a sua força.
O que seria o mundo encantado? Mircea Eliade nos fala de civilizações em que o mito era plenamente vivido. O mundo se comunicava com o homem, e o homem o reconstruía, e reconstruía a si mesmo, através da linguagem dos símbolos. Tudo tinha sentido nesse cosmo vivo: o mundo se revelava por meio da linguagem, longe do desencantamento que veio se processando na cultura ocidental.

Nietzsche, em O nascimento da tragédia, ao estabelecer a relação entre ciência e mito, nos fala do aniquilamento deste último, fato que determina a expulsão dos poetas da República. Poetas, entenda-se: sonhadores, criadores de utopias, santos e outros da mesma estirpe — toda uma tribo errante, perambulando pelo mundo e carregando o facho do reencantamento. Reencantamento que não é uma volta a um passado mítico, embora se possa pensar em um mito restaurado que reaproprie o presente naquilo que o presente ofereça como possibilidade de encanto.
Talvez devêssemos fixar o que perdemos para, depois, estabelecer o que podemos reconquistar. Em termos de linguagem, perdemos a inocência.

O que queremos dizer com isso? Que ficou vazio de sentido o que enunciamos, razão pela qual é necessário reencontrar a verdade da palavra: a união da palavra com a coisa enunciada. Algo que as crianças conservam, até perceberem que a palavra é distinta da coisa.

Antes da invenção da escrita a palavra oral instaurava os fatos presentes, preservava o passado e prognosticava o futuro. Nomear significava fazer existir. O ser habitava a linguagem. E os senhores da palavra dominavam os acontecimentos. Daí a plenitude da poesia e o poder da palavra.

Um dos textos mais antigos de que temos conhecimento, o “Poema babilônico da criação”, nos fala de “quando no alto o céu ainda não havia sido nomeado e embaixo a terra firme não havia sido mencionada por seu nome (…)quando os deuses não haviam sido criados, nem nenhum nome havia sido pronunciado, nem nenhum destino havia sido fixado(…).” Nenhum nome pronunciado: céu, terra, homem, deuses, destino. Nomear para dar existência. Cinco mil anos antes de Cristo, os babilônios fixaram essa verdade. Desde então trilhamos um longo caminho em que a linguagem foi perdendo a sua força. E como diz Elie Wiessel: “quando a linguagem fracassa, é a violência que a substitui.
A violência é a linguagem daquele que não se exprime mais pela palavra. A violência é também a linguagem da intolerância, que gera o ódio”. Por isso é necessário restaurar a potência criadora da linguagem. Para Calvino, o “justo emprego
da linguagem permite o aproximar-se das coisas (presentes ou ausentes) com discrição, atenção e cautela, respeitando o que as coisas (presentes ou ausentes) comunicam sem o recurso das palavras”.
Através da criação, da arte, talvez se propicie novamente esse encontro do homem com a linguagem. Nesse sentido, é importante reafirmar que arte e criação não se encontram apenas nesta figura recentemente criada, o artista, mas no homem em sua plenitude. Para isso, é necessário virar o mundo de cabeça para
baixo. Inverter a proposição de que ser é ter. Buscar o lúdico no cotidiano. Olhar o mundo com espanto. O espanto de estar vivo, tão misterioso quanto o não-ser. Mas vamos aterrissar em nosso chantier, buscando dialogar com os companheiros da tribo.
Em um documento enviado como contribuição aos debates do Encontro Mundial dos Artistas da Aliança, Gustavo Marin questiona: “En las crisis de las diversas civilizaciones a las que asistimos a fines
del siglo XX, pueden el arte y los artistas ser un medio para que los
pueblos vivan en paz en un mundo de diversidad?”
Nessa mesma linha, Michel Sauquet observa que “todo o mundo está de acordo acerca do papel da arte para reencantar o mundo”, a questão é “ver como o reencantamento intervém concretamente para o desenvolvimento social, para a redução das injustiças e desigualdades e na luta contra a exclusão”.

Olivier Petitjean, no seu texto “L’art, l’artiste et l’identité culturelle dans la construction d’un Montreuil solidaire”, nos fala da cidade onde mora, Montreuil, contando — a partir de uma experiência concreta — como as práticas artísticas podem modificar a percepção dos problemas sociais e ser um fator de inovação.
Marin, Sauquet e Petitjean colocam, cada um a seu modo, questionamentos acerca da reinvenção do mundo através da arte.
Talvez tenha chegado o momento, como afirma Cristovam Buarque, dos artistas e dos pensadores, “depois de décadas de predomínio dos economistas. Estamos entrando em um tempo de poetas, dramaturgos e escritores, que, pela intuição, denunciem e formulem; de pensadores que, pela análise, critiquem e proponham uma visão ampla do drama humano e nacional”.
Estará se cumprindo essa profecia? Vimos alguns prenúncios em notícias aleatórias, de origem variada, que surgiram no espaço de poucos dias, enquanto redigíamos este documento. Em 17 de agosto de 2001, o jornal carioca O Globo ostentou a manchete: “Poesia no tratamento de usuários de drogas”. Referia-se ao projeto de uma instituição que pretende revolucionar o tratamento de jovens dependentes de drogas: o Centro de Atenção à Drogadição Raul Seixas. A idéia — afirma o então coordenador de Saúde Mental do município do Rio de Janeiro, Hugo Fagundes — é que o Centro Raul Seixas seja um clube de jovens, com atividades que permitam a eles perceber que
é possível atravessar a juventude com horizontes diferentes da satisfação imediatista, da atração pela droga, do bombardeio consumista e do sonho impossível, como o tênis Nike. Em suma, uma tentativa de substituir a evasão buscada na droga pelo imaginário da poesia… Um belo projeto.
Lemos no Jornal do Brasil, de 17 de agosto de 2001 uma reportagem com o título: “A cultura desafia a realidade. Projetos em comunidades carentes se multiplicam no Rio transformando a arte em alternativa para o cotidiano e matéria-prima para o futuro”.
Nessa matéria, uma jovem de 21 anos, Cláudia Martins, que participa de um grupo de dança, afirma: “Demorei para descobrir que não é porque moro numa favela que tenho que estudar até o segundo grau e ser secretária ou atendente. Hoje sei que posso ser bailarina, fazer uma faculdade e ter a dança como meio de vida. Esse trabalho mudou a minha percepção da realidade”.

“Ciência para poetas” é um curso da Casa da Ciência, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que teve início em setembro de 2001abrindo espaço para que artistas, cientistas e o público interessado pudessem trocar idéias sobre teatro, ciência e divulgação científica.
No folder, o propósito desse evento: “Nas artes e nas ciências o homem cria seu caminho, inventa o infinito e a aventura de sua busca.
O que une arte e ciência é o sentimento de que, quanto mais se anda,
mais falta para andar […]”
Cristovam Buarque afirma que será “preciso voltar aos fundamentos dos valores humanos, subordinando a técnica à ética numa nova lógica, capaz de entender o homem e o resto da natureza como parte de um todo e de redefinir os conceitos de liberdade e de igualdade nestes tempos das grandes e independentes máquinas que substituem o trabalho humano e destroem o meio ambiente. Será preciso, sobretudo, imaginação para inventar um novo conceito de riqueza sem as amarras da economia, usando esta última apenas como um instrumento”. Essa conversão do homem para uma lógica, que não a do capital, precisa se impor.
Mas voltemos à poesia.
Segundo Octavio Paz, não existe uma sociedade sem poesia nem uma poesia sem sociedade. Entenda-se poesia em seu sentido lato, como o povoamento do mundo pela arte.

Para Paz, uma “sociedade sem poesia careceria de linguagem: todos diriam a mesma coisa ou ninguém falaria”, já uma poesia sem sociedade “seria um poema sem autor, sem leitor e, a rigor, sem palavras. Condenados a uma perpétua conjunção que se resolve em instantânea discórdia, os dois termos buscam uma conversão mútua:
poetizar a vida social e socializar a palavra poética. Transformação da sociedade em comunidade criadora, em poema vivo; e do poema em vida social, em imagem encarnada.
Uma sociedade criadora seria uma sociedade universal em que as relações entre os homens, longe de ser uma imposição da necessidade exterior, fossem como um tecido vivo. […] Essa sociedade seria livre porque, dona de si, nada exceto ela mesma poderia determiná-la; e solidária porque a atividade humana não consistiria, como hoje, na
dominação de uns sobre outros (ou na rebelião contra esse domínio), mas buscaria o reconhecimento de cada um por seus iguais ou, melhor, por seus semelhantes”.
Borges expressa muito bem o sentido visceral da poesia ao dizer que ela não acontece apenas intelectualmente, mas atinge o homem em todo o seu ser.
Nietzsche diz algo similar. Segundo ele, só a arte tem o poder de produzir representações da existência que nos possibilitam viver. São essas representações — terreno fértil para a criação artística — que, passando pelos imaginários individual e coletivo, nos possibilitam reinventar o mundo.
É essa dimensão fundadora da arte que necessita ser resgatada, porque — como nos diz Fayga Ostrower — “quando o homem moldou a terra moldou a si mesmo”. Construiu, digamos, a sua própria imagem. Há aí algo de misterioso embutido em uma pergunta de Fayga: “Que tipo de linguagem é esta que não precisa de interpretação e comunica há milênios sem perder o núcleo da expressividade?”
Talvez esse enigma sem resposta possa nos guiar na busca de um outro padrão de existência, reformulando o imaginário que alimenta nossos desejos. O que buscamos depende, além das circunstâncias que nos cercam e dos imponderáveis, de vontade e ação. Ousar fazer. É no fazer, com seus erros e acertos, que poderemos construir uma nova forma de vida mais igualitária, criativa e feliz.
A arte que, através do tempo, tem sido o registro de várias civilizações, documento e testemunho, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano e cultural. Hoje, mais do que nunca, com a crise civilizatória, e o conseqüente monoteísmo da razão, a linguagem da arte talvez seja das poucas que fala diretamente
ao coração das pessoas, particularmente dos jovens. Além de impulsionar transformações sociais, pode contribuir para reencantar o mundo a partir do estabelecimento de fortes trocas simbólicas e formar, assim, uma comunidade de emoção.
Heráclito afirma que a morada do homem é o extraordinário. Extraordinário que, em grande medida, o homem contemporâneo perdeu com a perda do cosmo, conforme disse em algum lugar D. H. Lawrence. Como nos religar ao cosmo? Ou, como nos interroga Vanda Chalyvopolou: como vamos encontrar outra vez a sensação mágica das coisas?

Já que, segundo Borges, “a beleza está à espreita por toda a parte”, é necessário promover mais encontros com ela. Talvez na dimensão que nos sugere Bené Fonteles quando questiona a produção da arte só para a sensação dos sentidos: “Por que produzir uma arte só para a sensação dos sentidos quando o discernimento da mente e da alma nos pede mais responsabilidade com a matéria, a palavra, o pensamento e a obra? O que a arte nos exige é um exercício sensitivo e intuitivo para uma nova forma de perceber, estar e pertencer ao mundo, aquele que neste milênio se prepara para compreender as outras dimensões que a ciência já experimenta ou visiona”.

Embora o materialismo impregne a vida do homem ocidental, ele nunca se liberou do sagrado que — segundo Mircea Eliade — alimenta o seu inconsciente constituído de figuras carregadas de sacralidade. Em certos casos — afirma ele —, o comportamento do artista ante a matéria reencontra e recupera uma religiosidade de tipo extremamente arcaica, desaparecida há milênios do mundo ocidental. Não será esse o caso que nos relatou Bené Fonteles acerca da
explicação de um artista popular sobre a sua escultura de um elefante? “Eu peguei a madeira, escutei a madeira, ouvi o que queria dizer e tirei tudo o que não era elefante.”
A arte possibilita inúmeras interpretações. Brice Parfait, também participante da rede dos artistas, afirma ser a arte o “último degrau do conhecimento”, e o artista o “mensageiro do invisível”. Para Kolakowski a arte é “um modo de perdoar a maldade e o caos do mundo”. Segundo ele a “arte organiza as percepções do mau e do caótico, introduzindo a
compreensão da vida de maneira tal que a presença do mal e do caos se converte na possibilidade de minha iniciativa
com respeito ao mundo, que leva em si mesmo seu próprio bem e seu próprio mal.
Para que possa ser assim, a arte deve descobrir no mundo o que sua aparência não proporciona, ou seja, o encanto secreto de sua feiúra, a deformação oculta de sua graça, o ridículo de sua elevação, a pobreza do luxo e o custo da pobreza; em uma palavra: deve descobrir todas as fibras secretas sufocadas pelas qualidades empíricas e que as convertem em partículas de nosso fracasso ou de nosso orgulho”. A arte nos permite, como o mito, tocar o mistério do mundo, sua ludicidade, prazer, alegria. Permite-nos penetrar no desconhecido em busca de respostas parciais, sempre parciais, que mantém o élan do viver. E isso ligado, também, a uma busca de soluções para os problemas que nos atropelam e ameaçam a nossa própria sobrevivência. Sobrevivência que, para ser válida, tem que ser digna. Vale dizer, tem que ser compartilhada, em um mundo que valha a pena ser vivido.
Às vezes, nos esquecemos que, além da carência de bens materiais, que causa a miséria e a morte de milhares de pessoas, temos carência de bens simbólicos e espirituais. Na confluência dos bens simbólicos e espirituais, temos a arte, que impulsiona relações entre pessoas e grupos, renovando vivências, laços de solidariedade, criando imaginários e poéticas imprescindíveis para o conhecimento do outro e de si mesmo. Nesse sentido, desenvolver-se com arte pode tornar a nossa vida mais alegre e o nosso olhar mais sensível à realidade cotidiana. Pode contribuir para a criação de um rico imaginário, apoiado nas raízes e na criatividade coletiva do presente; e resgatar poéticas que dão um sentido à vida em comunidade pela alegria, o lúdico, a imaginação.
Assim como a arte, a figura do artista é central nas sociedades contemporâneas: construtor de identidades sociais e imaginários, referência existencial e, muitas vezes, mítica. Enfim, são pessoas especiais nos vários contextos, tanto como agentes da alienação, usando a arte como sistema de manipulação, quanto como agentes em busca de um mundo plural, solidário e responsável.
E já que estamos falando do artista, encerramos este item com a fala de Makarand Paranjape, poeta indiano, integrante da Rede de Artistas: “O artista pode ajudar a construir as condições necessárias para a mudança do mundo. Isto pode ser realizado não se retraindo em uma torre de marfim, mas fazendo a arte mais acessível para as pessoas comuns, liberando-se das amarras das forças do mercado, e também trazendo à tona a criatividade escondida das pessoas”.

Fonte:
Rede Mundial  Artistas em Aliança: Cadernos de Proposições para o Século XXI

Aliança por um Mundo Responsável, Plural e Solidário
Cadernos de Proposições para o Século XXI

Nos tempos que correm os acontecimentos se precipitaram e as nossas categorias se tornaram pobres para entendê-los. Intolerância étnica, o 11 de setembro, a guerra no Iraque e no Afeganistão, corrida nuclear, exclusão social, enfim, sinalização de barbárie no âmbito mundial.

Como nos diz a Carta aos Candidatos, do Fórum Intermunicipal de Cultura, um “dos resultados negativos da globalização é um amplo desenraizamento que desfaz modos de vidas locais, expropria milhões de seres humanos de suas referências culturais e de suas próprias vidas. Assim, todo um processo cultural entra em decadência e, em troca, é oferecido um padrão fabricado pelo consumo, que tem na mídia um emulador permanente, pasteurizando todo e qualquer
tipo de diferença.
A este tempo que estamos vivendo deu-se o nome de pós-moderno. Nome vago, que anuncia que algo foi ultrapassado, que estamos em outro momento, embora não saibamos exatamente qual e o que isso significa. Parece ser consensual que atravessamos uma crise. Não só econômica ou social. Trata-se de algo bem maior, trata-se de uma crise civilizatória. A palavra “crise” tanto pode significar a erosão de algo construído, que entra em decadência, como o momento propício para a renovação, para a reinvenção.

No nosso caso — e aqui pensamos em uma perspectiva do Ocidente —, perdemos os paradigmas que nos davam referência. A impressão geral é pessimista. Mas não será esse apenas um dos lados
da moeda?
Eduardo Prado Coelho, pensador português contemporâneo, questiona o significado do “vazio de idéias”, que usualmente se liga à “crise de paradigmas”: “Vazio de idéias? Alguns supõem que sim. E tendem a traçar um quadro mais ou menos desolador dos tempos em que vivemos. Estaríamos sem teto e entre ruínas — para utilizarmos uma expressão
que a literatura consagrou. Segundo a perspectiva considerada mais ‘progressista’, a paisagem depois do comunismo seria a de um deserto que cresce. No limite de todos os desmantelamentos, aguarda-se, em atitude de súplica, a improbabilidade do milagre. Outros, mais conservadores, mais vinculados a uma aristocracia do espírito, vêem com verdadeiro horror os nivelamentos e banalizações de uma cultura massificada e de uma escola em incessante degradação. Outros ainda, perturbados com a “invasão de uma tecnociência que supõem acéfala, entrevêem no horizonte os sinais aterradores do niilismo e da barbárie. No entanto, através do próprio desastre, nessa perda dos astros reguladores, que todo o desastre é, alguma coisa se move que, se nos incitarmos a seguir o fio tênue desse movimento, nos poderá conceder um pouco de alegria e deslumbramento — o enigmático sorriso de um virar de século. Poder-se-á suspeitar que, quando se fala em ‘vazio de idéias’, o que se lamenta é fundamentalmente isto: não existem hoje idéias que salvem, nem idéias que fundamentem. Por outras palavras: nenhuma idéia nos assegura a salvação, nenhuma idéia é portadora de uma verdade que salve, nenhuma idéia nos dispensa de sermos nós próprios e criarmos o nosso modelo e itinerário de salvação. E ainda:
nenhuma idéia é suficientemente forte para fundamentar uma prática, para funcionar como ciência rigorosa da práxis. Sem astros que nos guiem, sem uma ciência de navegação que seja preciso apenas aplicar, avançamos agora num mar de surpresas e incertezas”.
Isso nos faz perguntar: será que as certezas que tínhamos, que se revelaram falsas, são melhores que a incerteza com a qual navegamos atualmente? Perda ou liberação? Cremos que ambas. Perda porque muita esperança se depositou no que se perdeu. Liberação porque, livres das amarras de um projeto predeterminado por pressupostos rígidos, estamos abertos a novas aventuras.
Segundo Octavio Ianni, é “no âmbito do globalismo que se institui, em uma forma nova, evidente e surpreendente, o significado da história mundial. São tantos e tais os vínculos, as acomodações, as tensões e as fragmentações que se desenvolvem em escala mundial, que já se pode falar em formação de uma sociedade civil mundial; em primórdios de um real cosmopolitismo das coisas, gentes e idéias; na constituição do globalismo como um novo e surpreendente palco da história, em termos de modos de ser e mentalidades, formas de sociabilidade e de pensamento, jogos de forças sociais e lutas de classes, guerras e revoluções; em novas modalidades de espaço e tempo; em um novo paradigma das ciências sociais, filosofia e as artes”.
Em suma, rompem-se as fronteiras de mercado, criam-se circuitos financeiros, abrem-se possibilidades de ir e vir, intensificam-se trocas comerciais, científicas e culturais. Se esse processo, por um lado, favorece uma aproximação dos povos e o estabelecimento de redes de direitos humanos e de solidariedade e propósitos de paz no mundo — além da possibilidade de construção de um verdadeiro diálogo intercultural, ainda por se formar —, traz, em contrapartida,
imensos impactos negativos sobre a vida no planeta e sobre a autodeterminação dos povos. À medida que entra em curso o declínio do Estado-nação, reforçam-se poderosas estruturas mundiais de poder.
Essa situação tem como conseqüência trágica a formação de ilhas de prosperidade e imensos oceanos de miséria, descaracterizando culturas ao impor-lhes ritmos acelerados a partir de uma tecnologia sofisticada não compatível com a condição sociocultural da maioria dos povos.
Por outro lado, como nos lembra Michel Sauquet, os problemas de injustiça social, de exclusão e de identidade cultural não estão, necessariamente, ligados à mundialização, já que são da “natureza humana, sempre confrontada com o niilismo e a barbárie”.
Vivemos em um mundo de extrema desigualdade em que coexistem alta tecnologia e analfabetismo, abundância e fome, engenharia genética e mortes por desnutrição. Na luta entre Tânatos e Eros é necessário fazer opções. Em termos simples e radicais: ou reinventamos a sociedade ou cairemos na barbárie. Os mortos do 11 de Setembro em Nova York e a fracassada invasão do Iraque já nos advertem para uma iminente barbárie da civilização.

Fonte:
Rede Mundial  Artistas em Aliança: Cadernos de Proposições para o Século XXI

Aliança por um Mundo Responsável, Plural e Solidário
Cadernos de Proposições para o Século XXI

Além de inúmeros coletivos que estão sendo criados, fomentando um novo olhar para a educação(…)
É possível perceber que o movimento de repensar o modelo escolar vigente ganha força no país também em função dos conteúdos que começam a ser veiculados na grande mídia(…)
As práticas alternativas à escola convencional sempre existiram no país e no mundo(…)
O foco na criança, no respeito ao seu ritmo e aos seus interesses, em uma escola que dialogue mais com a comunidade, com conteúdos ligados diretamente à realidade das crianças e jovens, com um espaço flexível, aberto e dinâmico, parece ser uma tendência(…)

Link para ler o artigo na Integra: http://bit.ly/1sT6NGW

Manifesto árvore!

Publicado: 21 de setembro de 2014 em Geral
Tags:, , ,

10696219_10203013890413650_2484652855677758197_nPor Virgilio Moura

Arvore Brasil
A árvore
Do meu corpo que chamam madeira foram construídas as caravelas que fizeram a rota dos descobrimentos, alteraram a verdade sobre este planeta, e nelas aqui chegaram os do velho continente.
A árvore
Como somos solidárias e dadivosas, protegemos o solo que nos sustenta e alimentamos os animais e homens que vivem sob nós.
A árvore
Do meu corpo que chamam madeira os habitantes desta Terra faziam suas moradias e os objetos que utilizavam no dia a dia.
A árvore
Como esta Terra é abençoada pelo sol, crescemos rápido e em grandes extensões, no início ocupávamos praticamente tudo, aqueles que aqui estavam e os outros que vieram depois, precisavam do solo para se manter e construir um País, foram nos cortando e cortando.
Cortaram para abrir estradas, cortaram para implantar cidades, cortaram para plantar lavouras e pastos. Entendemos e fomos ao sacrifício.
A árvore
Do meu corpo que chamam madeira, foi construído o 1º objeto feito aqui por outra cultura, a cruz de cristo.
Uma de nós foi considerada a primeira riqueza aqui encontrada e que justificou a posse desta terra e do seu nome foi batizada: Brasil.
Do meu corpo que chamam madeira foram construídas as igrejas, santos e altares, compondo um dos maiores tesouros brasileiros, achando que me embelezavam me esconderam com tinta e ouro.
Do meu corpo que chamam madeira, alguns artistas brasileiros me mostraram orgulhosamente nua e com esta beleza criaram o Design Brasileiro.
Do meu corpo foram construídas coisas belas, muito belas.
Daquela grande família chamada Mata Atlântica, os nossos primos Jacarandás, Cerejeiras, Canelas, Gonçalo Alves, Aroeiras, Imbuias, Perobas, Vinháticos, Aracaúrias e Pinhos, agora existem muito poucos.
A árvore
Mas de repente cismaram de ocupar este solo, “a Hiléia Amazônica”, e instituíram uma lei que dizia:
Terás a posse destas terras, porém, só te dou se a tua terra de florestas e florestas for ocupada em 50%.
Com isso todos que aqui chegaram foram nos cortando e cortando para garantir a posse da Terra e não pararam mais de cortar.
Como tinham se passado muitos anos desde aquele início, as ferramentas de destruição avançaram muito, não somos mais cortadas a machado e serrotão, somos derrubadas a trator, cortadas a motoserra, vocês não acreditam da competência dessa tecnologia.
Mas o pior ainda estava por vir, como têm pressa, muita pressa, nos derrubam em massa, umas depois das outras e sabem o que acontece com aquelas que ficam de pé? não sabem????
Acreditem. SOMOS QUEIMADAS, e depois, olhem só¬¬_ que maldade, somos fatiadas e vamos para os FORNOS, _os Fornos!!!!! e viramos CARVÃO.
Depois de tantas dádivas que vos tenho dado!
De vos ter permitido construir tão grandioso País!
De proteger tantas infinitas águas! A riqueza do futuro!
Eu vos Pergunto?
Porque vocês me Queimam!!!!!!!
Fonte:

A Prefeitura de São Paulo e o Instituto TIM se uniram em 2013 em um esforço conjunto para dar mais qualidade à gestão cultural dos municípios e estados. O objetivo era reunir informações sobre agentes, espaços, eventos e projetos culturais por meio de uma ferramenta colaborativa, fornecendo ao poder público uma radiografia da área de cultura e ao cidadão um mapa de espaços e eventos culturais da cidade. Dessa parceria surgiu Mapas Culturais, um software livre que pode ser adotado gratuitamente por qualquer cidade ou estado, e que em São Paulo leva o nome de SP Cultura.

A plataforma foi lançada oficialmente na Praça das Artes, em São Paulo (Av São João, Vale do Anhangabaú), no dia 4 de maio. O momento contou com a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy, do prefeito Fernando Haddad, do secretário municipal de Cultura Juca Ferreira, além de instituições e coletivos culturais. Também compareceram gestores públicos dos 6 municípios e 2 estados que adotarão a ferramenta em 2014: os governos do Ceará e do Rio Grande do Sul, e dos municípios de Campinas (SP), Santos (SP), João Pessoa (PB), Vitória da Conquista (BA), Sobral (CE) e Itacoatiara (AM).

A plataforma está alinhada ao Sistema Nacional de Informação e Indicadores Culturais do Ministério da Cultura (SIINC) e contribui para que os gestores públicos realizem alguns dos objetivos do Plano Nacional de Cultura. Em São Paulo ela foi utilizada, por exemplo, para alimentar a programação da Virada Cultural (realizada entre os dias 17 e 18 de maio) no site e em aplicativos do evento.

As bases para o desenvolvimento do projeto foram lançadas no Encontro Mapas Culturais, em julho de 2013, que reuniu agentes culturais de vários países da América Latina, do Ministério da Cultura e da prefeitura de São Paulo para discutir a criação de uma ferramenta de mapeamento de iniciativas culturais, gestão cultural e geração de indicadores. Para iniciar a inserção de dados na plataforma, 20 bolsistas da Agência Popular Solano Trindade realizaram um levantamento-piloto no bairro do Campo Limpo, em São Paulo, onde coletaram informações de 400 agentes e iniciativas culturais. Depois da inserção de dados do Campo Limpo foi realizado o cadastro de equipamentos culturais da prefeitura.

Acesse, conheça, desenvolva: http://spcultura.prefeitura.sp.gov.br/