Arquivo de outubro, 2012

Poemas são sempre bem vindos!

Publicado: 26 de outubro de 2012 em Geral
Tags:

Essa época de candidatos e partidos é um belo momento de relembrar um dos sentidos atribuídos ao modernismo brasileiro e a luta das artes contra o controle burocrático dos Estados “modernos”. Uma clássica reflexão. Que venha a discussão. Que venha o coração. Que venha a revelia da arte como manifesto vivo.

De um lado grupos que em nome de Deus conduzem uma opereta magica do senhor para alienar e arruinar o sincretismo religioso, aprisionando mentes e corações com um mar de preconceitos infinitos. Não existindo o minimo espaço para um outro pensamento, o diferente, sem falar da linha de diálogo… Tudo já esta escrito e determinado e ponto final. É isso?

Do outro, um grupo de empresários, grileiros, banqueiros em suas piscinas tão públicas quanto a grama do pentágono.
Existe um sentimento de que tudo faz parte da “dança da realidade” retroalimentada pelo conformismo de quem entende esse cenário por uma lógica maniqueísta. O que tende por gerar uma auto-limitação social.

E o que mais… toda e qualquer opinião é só mais uma no meio de tantos gênios!

Sim. Poemas são sempre bem vindos! Não é mesmo Álvaro de Campos?

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Quem contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?”

Álvaro, e sua humana expressão…
– Mas ele é a sombra de um pensamento noturno de um outro humano, tímido, tão aprisionado no sistema quanto todas as vozes, um tal de Fernando Pessoa, conhece?

– Mas então do que falas… Quem fala?

Todos falam ao mesmo tempo… Não da para entender nada…
Entender? Para quê entender?

Entender é parede. Sentir é horizonte, dizem.
É. Isso mesmo…
Poesia é sempre bem vindo.

Anúncios

Imagem

Sim!!! Ver tanta gente fazendo tanta arte com tantas linguagens reforça que a percepção é a chave para a transformação da cidade que queremos. Estamos a dois meses em São Paulo, e tem se tornado cada vez mais nítido, que quanto mais participamos, mais soluções simples e replicáveis surgem, restabelecendo o diálogo onde só existia imposição.

Não é de se admirar se ouvirem por ai, que essa foi uma das ocupações mais consistentes com o atual momento de SP. É muito satisfatório ver a ação e a pratica pela cidade que queremos. Essa é a importância de ocupar criativamente o espaço público. Manifestando a real vida que existe na cidade, repleta de pessoas incríveis.

A Praça Roosevelt estava tomada pela verdadeira cidade, livre de qualquer tipo de paranóia social. O espaço público é um lugar que todos temos de interpretar, nos apropriar no grandioso labirinto de corpos que perdidos se encontram. se reconhecem. se relacionam. Na construção diária da cidade que queremos. Mas se a cidade são as pessoas e as pessoas são as relações, nada como o amor manifesto e recíproco para transformar o espaço em um grande ambiente de união.

Criolo e Gaby Amarantos, dois artistas de origem periférica, emanam a mensagem de mais amor! Um momento histórico para a cena independente, amplificado nas ondas do diálogo e na tecnológica, representada pelo ao vivo da Pós Tv, que transmitiu tudo que tava rolando na praça, conectando gente do Brasil e do mundo com esse dia tão histórico para a cidade. Só amor conduzindo esse ato pela cidade.

O dia findou com meu primeiro banho de chuva na terra da garoa. Que venha o próximo festival. Afinal, a cidade que queremos nasce da nossa ação!