TV Clube estreia com exibição de Anos Incríveis

Publicado: 19 de outubro de 2010 em Artes Cênicas
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TV Clube apresenta  “Anos Incríveis”

Sinopse:
Tomemos o artifício ficcional de imaginar que Michel de Montaigne e Marcel Proust se uniram no final dos anos 80 e montaram um projeto para a televisão. Uma vez por semana ligaríamos nossos aparelhos no conforto de nossos lares e acompanharíamos, durante seis anos, episódio por episódio (cada qual balbuciando poeticamente um tema), um homem rememorando e analisando histórica e sentimentalmente a sua infância e a sua era.
Falando de realidade, felizmente podemos comprovar que algo análogo aconteceu quando o casal Neal Marlens e Carol Black, com clarividente ternura e inteligência, decidiram se debruçar sobre um projeto que intitularam “The Wonder Years”. Se todos os anos fossem tão incríveis quanto aqueles seis foram para a sua geração – pelo menos meia hora por semana – talvez não fosse tão solitário o caminho dos que passam alhures.
Nem todos, até hoje, é verdade, podem ter uma tv em casa; mas ao menos uma na rua de uma periferia distante, ou ao menos uma na praça de uma longínqua vila pesqueira. Os que se reuniram para assistir esta série partilharam, em forma de entretenimento, um ombro amigo do tamanho de um sentimento. Através da luz e do som – prováveis protagonistas na criação do universo – estes seres sensitivos puderam comungar ao menos uma migalha, uma fagulha de um momento sagrado. O ritual de ouvir e contar estórias, dizem, é tão antigo quanto o próprio homem. O de ver e ouvir simulações de realidade que são estórias, idem.
A matéria do tempo que passou é análoga a dos sonhos; resta-nos (como Kevin) sonhar, pouco importa se de olhos fechados ou abertos.
(Mateus Moura – APJCC 2010)

* * *

Sobre a necessidade de existência de um TV Clube
Toda arte é feita para ser apreciada.
Este momento de contato entre público e obra de arte é um ato de comunicação: alguém (o artista) envia uma mensagem (sua obra) e nós (os potenciais apreciadores) a recebemos das mais diversas formas.
Toda a comunicação pode ser facilitada por um veículo que seja eficiente em transmitir a mensagem e, por 50 anos, a televisão foi um dos grandes veículos de difusão das mais diversas obras (perdendo hoje, talvez, para a internet).
Atacada por Adorno e Horkheimer (e muitos outros) como o veículo das massas, a responsável pela idiotização da audiência, a destruidora da essência artística através da produção industrial de novelas, tele-jornais e séries, a TV indiscutivelmente teve sucesso em sua proposta primeira: levar o que quer que fosse que ela apresentava para a sala e os quartos das pessoas ao redor do mundo.
Quando assistimos a uma final de Copa do Mundo sabemos que não estamos sozinhos, mas na companhia de bilhões que se reúnem em vários países para vivenciar a mesma experiência. E esse potencial de conectividade (sem sombra de dúvida ligado ao poder aquisitivo dos donos das gigantes da comunicação) fez da TV uma presença incontornável nos lares humanos.
Mas o que é feito dessa capacidade de atingir um número vertiginoso de pessoas em escala global? Ou melhor, o que pode ser feito dessa capacidade?
Essa é a discussão que impulsionou a criação deste TV Clube – espaço onde discutiremos as grandes obras realizadas para a TV; começando com a exibição de uma das maiores séries de todos os tempos: Anos Incríveis.
* * *

Serviço:
TV Clube apresenta: Anos Incríveis.
Dia 24 de outubro (domingo) às 18h
Espaço Benedito Nunes (Livraria Saraiva – Shopping Boulevard, 2º piso)
Entrada franca.

Realização: APJCC
Apoio: Livraria Saraiva.
Cartaz: Luana Beatriz.

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