Arquivo de julho, 2010

O Clube de Cinema surge com este nome em janeiro de 2010, mas as ações de audiovisual dentro do Circuito Fora do Eixo estão ativas desde 2008 como força de trabalho nacional (isso descartando o acúmulo que cada coletivo traz em sua trajetória pré Circuito Fora do Eixo).

Em 2008 criamos o canal do You Tube, intitulado de Web TV Fora do Eixo. Na época a Web TV era a grande ação Audiovisual no CFE, e a cobertura das atividades dos coletivos, a atividade mais articulada desenvolvida nesta frente gestora, mostrando à rede o quão estratégico seria fomentar o trabalho em linguagens artísticas variadas, para além da cadeia produtiva da música.

No início de 2009 a Web TV começou a trabalhar de forma integrada. Naquele momento 3 coletivos (Espaço Cubo, Goma e Massa Coletiva, representados por Thiago Dezan, Tassio Lopes e Eu) formavam a base de trabalhos da frente, estimulando dia a dia a participação de mais agentes no audiovisual.

O primeiro resultado desta equipe foi a criação do Curto Circuito Fora do Eixo, soltando em um mesmo vídeo a cobertura realizada por diferentes coletivos. O 1º episódio foi uma conquista e em pouco tempo o formato do programa mudou, vários outros empreendimentos contribuíram para sua evolução como o Retomada, Do Sol, Megalozebú… O programa foi semanal por um período, passando inclusive em TV aberta, na TVE São Carlos, mas a dificuldade em manter a constância da produção dificultou a manutenção da parceria.

Ainda em 2009 ambicionamos realizar mais do que cobertura de atividades. Os agentes da Web Tv queriam extrapolar a linguagem Web, extrapolar a TV. A meta era trabalhar o audiovisual em todas as suas frentes. O nome Web TV era pouco para as metas do projeto.

Durante o II Congresso Fora do Eixo, realizado em Rio Branco no Acre, entre um GT e uma plenária, depois do almoço ou na alta madrugada, os três militantes do AV escrevemos um documento a ser apresentado ao Circuito na plenária final. Tratava-se de um compromisso com a evolução da cadeia produtiva da linguagem que nos movia dentro desta rede cultural.

II Congresso Fora do Eixo – Rio Branco / AC – 09/2009

Neste documento mudamos o nome Web TV para Audiovisual, reiteramos o comprometimento das regionais com o fomento desta cadeia produtiva, cobramos a participação na SEDA – Semana do Audiovisual, cobramos dos coletivos a produção de conteúdo, propusemos a realização de exibições não comerciais. Tentamos amarrar de todas as formas o compromisso do CFE ao trabalho com esta linguagem.

Apesar de todo o estímulo do Congresso, uma coisa nos incomodava demais. A inconstância dos colaboradores do agora intitulado Audiovisual FDE. Na SEDA 2009 em Cuiabá nos encontramos novamente, com mais pessoas e coletivos envolvidos (contando com a entrada fundamental da Bahrbara Andrade – Megafônica – e FerKrum – Macondo Coletivo) e lá descobrimos o nosso erro. Como exemplo de desenvolvimento da cadeia produtiva, havia o trabalho acumulado na linguagem musical. Oferecer o show autoral, formar público como espectador, estimular o consumo, fomentar a produção e formar tecnicamente.

SEDA – Cuiabá / MT – 12/2009

A equivalência ao show autoral para o cinema é o cineclubismo. Este deveria ser nosso norte. E lá mesmo mapeamos aonde encontrar as ferramentas para desenvolver esta metodologia.

De volta a São Carlos conversei com Léo BR e Dudu (meus amigos cineclubistas), e questionei o que fazer para potencializar esta prática no circuito. A resposta foi imediata: acervo. Ofereça os filmes que as pessoas poderão assistir, exibir, reproduzir.

Já em janeiro de 2010, num encontro das regionais em São Paulo, em uma roda num gramado do Parque do Ibirapuera, horas antes do primeiro show do Macaco Bong Convida, no auditório do parque (inesquecível), apresentamos esta reflexão sobre o novo norte do Audiovisual. Neste contexto, foi-nos proposto mudar o nome audiovisual para cineclube. Dias depois, em nossa reunião semanal, optamos pelo nome Clube de Cinema, uma chancela que representa bem este clubinho de apaixonados pela 7ª arte.

Macaco Bong Convida – Auditório do Ibirapuera – São Paulo / SP – 01/2010

Estimulados com o potencial surgimento de uma rede de cineclubes dentro do CFE, a dupla de cineclubistas iniciou o Catalogo de Filmes do fora do eixo. Prontamente alguns coletivos incluíram seus títulos no catalogo, outros solicitaram filmes e realizaram suas mostras, mas muitos viviam o mesmo problema. Falta de local para exibição, falta de equipamento e infraestrutura.

Um acervo sem espaço de exibição realmente não teria muita serventia. E mais uma vez a oportunidade de contar com pessoas com acúmulo na vivência de exibição não comercial trouxe-nos uma solução: identificar em quais cidades que possuem um ponto do CFE existe um Cine + Cultura ou cineclube instalado.

Da-lhe pesquisa para constituir o Mapeamento CFE / Políticas Públicas. Boa parte das cidades inseridas no Circuito possuem um cineclube. Então, tudo resolvido. Exceto as relações humanas, o acúmulo interpessoal, as dificuldades da cena local, as gestões públicas em cada município… o Clube de Cinema criou ferramentas, mas a solução de um, não é a solução de todos.

Este trabalho trouxe resultados positivos, mas também explicitou dificuldades e fragilidades na nossa metodologia. É um processo no qual aprendemos a cada referência absorvida, a cada empirismo bem ou mal sucedido. É isso que fazemos para atingir o que pretendemos construir.

Excluindo alguns nomes e passagens também importantes (mas não caberiam nesta linha de raciocínio estabelecida no texto) esta é a minha leitura da história do Clube de Cinema, e foi isso que relatei  no último fim de semana.

O Sebrae/GO, através do Décio Coutinho, viabilizou um seminário de apresentação do CFE para representantes do Cine + Cultura (da Ancine / MinC) e membros do Conselho Nacional de Cineclubes (CNC). Por parte do Circuito, a articulação foi do Tião Donato, que apresentou ao meu lado esta história. O encontro durou uma manhã dentro de um GT de quatro dias realizado na bela Alto Paraiso de Goiás, onde estes grupos se reuniram para estruturação interna.

Seminário do CFE para Cine+Cultura e Conselho Nacional de Cineclubes

Alto Paraíso / GO – 07/2010

Este encontro foi uma faísca necessária para o nosso processo. Ali presentes havia cineclubes sediados em cidades onde há pontos Fora do Eixo e já nesta semana parcerias começaram a ser construídas, produtores interessados em aderir à rede CFE, mostrando que nosso circuito não se limita à música e tampouco os cineclubistas se resumem na fruição audiovisual. Ali vivemos um encontro entre duas redes capilarizadas, cada uma com sua história, cada qual com seu acúmulo, mas ambas entendendo um norte semelhante, sinalizando que muitas parcerias ainda estão por vir.

A cultura é transversal, a arte é multimídia, a gestão é horizontal, a construção é coletiva. O mutualismo é a nossa evolução.

Cachoeira das Loquinhas – Alto Paraiso / GO

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Cine Refazenda apresenta:

O Cineasta da Selva, de Aurélio Michiles


Ainda hoje, os filmes de Silvino Santos (1886-1970) parecem bem mais que peças de um museu cinematográfico. Suas tomadas enchem os olhos pelos sentidos de movimento, ação, composição e detalhe. Cineasta do capitalismo caboclo nascente, cronista de índios, seringüeiros, pescadores e grandes empresários, são pétalas que caem na margem dessa amazônia retratada por um cineasta que passou mais tempo em terras amazônicas que na própria terra em que nasceu (Portugal). Silvino praticamente inaugurou, junto com o major Tomaz Reis, o documentarismo etnográfico brasileiro. E também uma série de dilemas que o nosso cinema historicamente enfrentou junto aos poderes político e econômico – principalmente em terras de “índio”.

Aurélio Michiles encorpou uma perspectiva romântica para enfocar O cineasta da selva e o efeito ressalta a opção de Michiles por uma espécie de memorialismo lúdico, combinando rigor histórico e liberdade poética.

Uma cobra avança entre cachos de película, uma borboleta pousa num pedaço de filme. São imagens sintéticas que pretendem substituir grandes esforços de produção do filme de época. Da mesma forma, o uso gracioso de fotografias, mapas, transições de cor e incrustações digitais, além de um trabalho musical delicadíssimo e primoroso, tudo solicita do espectador uma atenção pelo menos tão lírica quanto histórica. A síntese acaba sendo a maior virtude desse filme que se lança ao desafio de retratar uma epopéia.

O filme retrata um tema de grande importância histórica para o Pará, o ciclo da borracha, que serve de paralelo com a situação da Amazônia dos anos 1970 no curta que será exibido na próxima sessassão do dia 14 de agosto, “Sangue e suor: A saga de Manaus”.

Samir Raoni (APJCC – 2010)

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O Cine Refazenda convida as 12 Comunidades Rurais do Genipauba para espaço de exibição de grandes obras da cinematografia mundial e rodas de conversa sobre Permacultura, Arte e Espiritualidade.

Numa parceria entre a Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) e a Rede Norte de Cineclubes, a programação passará a funcionar quinzenalmente, aos sábados, a partir do próximo dia 31 de julho, sempre às 19h30, com entrada franca.

A primeira sessão apresenta o filme “O Cineasta da Selva”, de Aurélio Michiles. No dia 14 de agosto, será exibido “Sangue e Suor: A Saga de Manaus “, de Luiz de Miranda Corrêa

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Serviço:

31 de julho (sábado) às 19h30
debaixo da Mangueira do Instituto Refazenda (Km 12 da estrada do Genipauba) – Veja Mapa
Entrada franca

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Mais informações:

Site do Instituto Refazenda
E-mails: samiraoni@gmail.com e cinerefazenda@gmail.com
Contato: (91) 8154-1386

Neste mês de julho, o movimento cineclubista paraense poderá celebrar mais uma conquista através de um evento pioneiro no estado. Trata-se da I Jornada Paraense de Cineclubes (JOPACINE), evento que ocorre entre os dias 23 e 25 de julho, na Escola Estadual Davi Salomão Mufarrej.

Organizado por representantes de diversas entidades cineclubistas, como  O INOVACINE/FAPESPA e a APJCC (Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema), o JOPACINE irá tratar de assuntos de interesse comum ao movimento, tais como a fundação da Federação Paraense de Cineclubes (ParáCINE), a aprovação de seu estatuto, eleição da diretoria, além da discussão de políticas públicas de incentivo aos cineclubes, e estratégias de desenvolvimento da atividade cineclubista no Estado do Pará, entre outros tópicos.

Podem participar do JOPACINE todas as organizações cineclubistas atuantes no Estado do Pará, filiados ou não ao CNC (Conselho Nacional de Cineclubes), representantes de instituições públicas e particulares, entidades da sociedade civil e outras nas quais sejam desenvolvidas atividades de caráter cineclubista. As inscrições estão abertas até o dia 23 de julho, 19 horas, no Colégio Davi . O material de inscrição pode ser enviado para o e-mail jopacine@gmail.com ou para a Comissão Organizadora da Jornada Paraense de Cineclubes – JOPACINE – Presidente Vargas, 1020, Centro – CEP: 66017-000 Belém – PA.

Serviço:

I Jornada Paraense de Cineclubes
Data: 23 a 25 de julho (sexta a domingo)
Horário: A Partir das 8h
Local: Escola Estadual Davi Salomão Mufarrej – Av. Alm. Tamandaré, 256
Inscrições até 22 de julho
Informações: http://jopacine.wordpress.com/

De 23 a 25 de julho, Belém recebe a I Jornada Paraense de Cineclubes (JOPACINE), evento que promoverá o encontro dos Cineclubes do Estado do Pará. A proposta é discutir políticas públicas de incentivo aos cineclubes e estratégias de desenvolvimento da atividade cineclubista no estado.

A JOPACINE é convocada por trinta e três (33) organizações cineclubistas reunidas nos “II DIÁ-logos Cineclubistas – Construindo a Jornada Paraense de Cineclubes”, evento realizado no último dia 15 de maio, no Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social. Sem orçamento e ao mesmo tempo sem economia de esforços, o evento vem sendo estruturado em rede, de forma colaborativa, com os seus passos sendo permanentemente publicitados de forma a que a sociedade possa acompanhá-los.

Estão convidadas a participar da programação todas as organizações cineclubistas atuantes no Estado do Pará, filiadas ou não ao Conselho Nacional de Cineclubes (CNC), assim como os representantes de instituições públicas e particulares, entidades da sociedade civil e outras nas quais sejam desenvolvidas atividades de caráter cineclubista.

Os interessados devem apresentar documentos que comprovem o caráter democrático da entidade ou grupo informal; o compromisso cultural e ético da organização; o plano de desenvolvimento de ações cineclubistas e, quando for o caso, relatório de atividades. As inscrições podem ser feitas até a véspera do evento, 22 de julho.

Para mais informações, acesse os links abaixo.

 

O secretário geral do Conselho Nacional de Cineclubes, João Batista Pimentel Neto, foi a primeira pessoa a confirmar presença na Jornada que vai fundar a Federação Paraense de Cineclubes, dias 23, 24 e 25 de julho, em Belém.

Segue abaixo, texto enviado pelo evento.

Honrado pelo convite, conforme e-mail endereçado á comissão organizadora, o secretário do CNC vai arcar com a viabilização da própria passagem aérea para garantir a sua participação em toda a Jornada, propondo-se, inclusive, em aceitar acomodações disponibilizadas através da hospedagem e alimentação solidárias.

Além do estímulo ao movimento cineclubista, a presença de Pimentel, segundo a comissão organizadora do encontro, confirma que a articulação de eventos em rede, de forma aberta, transparente e democrática, fortalece o sentimento e a sinestesia colaborativa dos participantes. A comissão organizadora avalia que a presença de Pimentel, assim posta, poderá estimular a militância cineclubista para a o entendimento de que a JOPACINE, por resultar de um esforço coletivo e por ser organizada com enormes dificuldades estruturais, os seus participantes serão convocados a assumir eles próprios diversas responsabilidades com este evento, histórico pela sua própria natureza.

Assim sendo, a presença de Pimentel em Belém na Jornada Paraense de Cineclubes é sem dúvida a primeira de uma série de confirmações que estão se desenhando e que devem estar consolidadas até meados da próxima semana. Até o presente momento, o evento conta com apoios do IDEA 2010, Rede Norte de Cineclubes, Secretaria de Educação, Casa Civil, Prodepa, Fapespa, Sedect e Secult.

Objetivamente, estão garantidos o espaço de realização do evento (Cinema Olímpia), o alojamento dos participantes (que será em escola próxima ao local da JOPACINE), transporte dos participantes entre o local do evento e a escola onde ficarão alojados.

A partir de segunda-feira, dia 12, serão intensificadas as chamadas aos cineclubistas, gestores de entidades da sociedade civil, ativistas do setor audiovisual, realizadores e produtores de cinema e mídias digitais, de forma a garantir a maior representatividade possível deste encontro.

O evento é convocado por cerca de 30 entidades e projetos que participaram do ii DIÁ-logos cineclubistas, realizado em maio no instituto de Tradição Afro-Religiosa Mãe Nangetu. Sem orçamento e ao mesmo tempo sem economia de esforços, o evento vem sendo estruturado em rede, de forma colaborativa, com os seus passos sendo permanentemente publicitados de forma a que a sociedade possa acompanhá-los.

Assim sendo, estão disponibilizados no site www.jopacine.wordpress.com todas as informações sobre a JORNADA, entre as quais: programação, ficha de inscrição, proposta de regimento interno da JOPACINE e ainda a proposta de estatutos da Federação Paraense de Cineclubes.

A meta da comissão organizadora é aparar as arestas e solucionar todos os impasses entre teorias e práticas antes da JOPACINE, para que a mesma se transforme num espaço de conversas entre as vivências e de proposições afirmativas para o desenvolvimento da atividade cineclubista no Estado do Pará.

Fonte: Comissão Organizadora da Jornada Paraense de Cineclubes